Filosofia e Cinema

Artigos que são publicado na coluna “Para Refletir” da Revista “Filosofia, Ciência & Vida” da Ed. Escala

10/1/10

O MENINO DE PIJAMA LISTRADO

Na coluna anterior falamos da amizade entre inimigos, um adulto, inglês, colonizador e uma criança, judia, colonizada. A trama ocorreu na Palestina antes da criação do Estado de Israel. Agora, trataremos de uma amizade entre duas crianças, que na visão dos adultos deveriam ser inimigos. Um garoto judeu em um campo de concentração e outro, alemão, Bruno (Asa Butterfield), é o filho superprotegido do oficial nazista, comandante deste campo. Acostumados à tranqüilidade e conforto de Berlim, a família não consegue se adaptar à sua nova moradia. Sozinho, Bruno procura conhecer o que acredita ser uma fazenda. Em um campo cercado por arame farpado ele encontra Shmuel (Jack Scalon), um garoto aproximadamente com a mesma idade que a sua, e que sempre veste um pijama listrado. Este encontro irá despertar a importância da amizade. Curiosamente o filme também nos remonta a uma idéia sobre a questão da alienação social, quando Bruno não é apresentado à realidade da guerra, da Alemanha nazista, assim não percebe o perigo e o risco que corre. Um campo de concentração transforma-se em uma inocente fazenda.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano IV, n° 41

Ficha Técnica

Gênero: Drama

Duração: 93 min.

Diretor: Mark Herman.

 

Elenco

Asa Butterfield (Bruno)

Zac Mattoon O’Brien (Leon)

Domonkos Németh (Martin)

Henry Kingsmill (Karl)

Vera Farmiga (Mãe)

David Thewlis (Pai)

Cara Horgan (Maria)

Amber Beattie (Gretel)

László Áron (Lars)

Béla Fesztbaum (Schultz)

Attila Egyed (Heinz)

Rupert Friend (Tenente Kotler)

David Hayman (Pavel)

Jack Scanlon (Schmuel)

László Nádasi (Isaak)

 

criado por filosofiacinema    17:13 — Arquivado em: Sem categoria

O PEQUENO TRAIDOR

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a humanidade tomou conhecimento dos campos de concentração nazistas, e do extermínio propalado aos judeus, ciganos, anarquistas, comunistas, homossexuais e testemunhas de Jeová. A Europa estava destruída e o sentimento contra os judeus ainda exaltados, uma massa de refugiados rumou para a Palestina com o intuito de juntar-se aos judeus sionistas que lá se encontravam. Neste período a Palestina havia deixado de ser uma província do Império Turco-Otomano e estava sob administração do Império Britânico, que se comprometera a construir um “lar para os judeus” sem colocar em conflito os direitos políticos e religiosos dos não-judeus.  Neste contexto, meses antes da criação do Estado de Israel,  encontramos Proffi (Ido Port), uma criança judia que deseja o exército britânico fora de sua terra. Certa noite Proffi é pego pelo sargento Dunlop (Alfred Molina). O garoto arquitetou um plano para espionar o quartel inglês, no entanto Proffi fica surpreso ao perceber que seu inimigo tem grande curiosidade e conhecimento de sua cultura, surgindo uma grande amizade. Quando os amigos de Proffi descobrem que ele visita o inimigo, o denunciam. O garoto é levado a um tribunal para ser julgado como traidor. Fernando Pessoa, em um fragmento de 1915, nos fala que “a traição, longe de ser um ato condenável, não passa de uma opinião política –, filosófica, mesmo, como no fundo são todas as opiniões políticas.” O que, ao final do filme, fica comprovado.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 40

 

 

 

Ficha Técnica
Título Original
: The Little Traitor (2007)

Direção: Lynn Roth
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos/Israel
Duração: 88 minutos
 

Elenco

Proffi (Ido Port)

Sgt. Dunlop (Alfred Molina)

 

criado por filosofiacinema    16:58 — Arquivado em: Sem categoria

O CLOSET

Uma piada, geralmente, é resultado de um preconceito; é baseada na diferença entre povos, culturas dessemelhantes, gênero, opção sexual, etc. O filme O Closet (Le Placard), traz, de forma branda, a questão do preconceito ao homossexual. Retrata um momento na vida de François Pignon (Daniel Auteuil), que não está na sua melhor fase existencial, sua mulher o abandonou, seu filho o rejeita, e, para completar, descobre, ao ouvir uma conversa de seu chefe Félix Santini (Gerard Depadieu), que está na eminência de ser despedido da empresa de camisinha. Pignon acredita que a solução para seus problemas seja o suicídio, mas é impedido por seu vizinho Belone (Michael Aumont), que o convence a se passar por homossexual. A idéia é que a onda de “politicamente correto” faça com que a empresa não o demita para que não se veja acusada de discriminação e tenha seu produto boicotado no mercado. É interessante perceber, como seus colegas de trabalho reagem diante desse novo Pignon, com destaque ao seu chefe Félix, e, como essa nova circunstância irá transformar Pignon.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 39



Ficha Técnica
Título Original: Le Placard
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 84 minutos

Ano de Lançamento (França):
2001
Direção: Francis Veber

 

Elenco

Daniel Auteuil (François Pignon)
Gérard Depardieu (Félix Santini)
Belome (Michel Aumont)

criado por filosofiacinema    16:21 — Arquivado em: Sem categoria

1001 Filmes para ver antes de morrer

Lançado originalmente em 2003 pela Cassell Illustrated, essa seleção de filmes tenta abarcar o que de melhor foi produzido pela indústria cinematográfica mundial (constam filmes de mais de 30 países). Lançado no Brasil em 2008 pela Editora Sextante, o livro inicia com um dos primeiros filmes produzidos para o grande público, Viagem à Lua (1902) de Georges Méliès,  e caminha de forma cronológica até o ano de 2007 com o filme anglo-francês Desejo Reparação. É possível conhecer as principais obras de referência em cada gênero, ação, vanguarda, ficção científica, desenho animado, aventura comédia, documentário. Como nos diz o próprio Schneider na introdução da obra: “Então, como determinamos quais 1001 filmes você deve ver antes de morrer? Seria muito mais fácil, e geraria menos controvérsia, se tivéssemos que listar 1001 filmes que devem ser evitados a qualquer custo! Não é nada surpreendente quando se descobre que a crítica de cinema não pode ser considerada uma ciência exata”. Assim não é um grande excesso dizer que o que uma pessoa considera filme clássico pode ser muito bem o filme medíocre para uma outra. A contribuição do coordenador Steven Scheineider e seu time de 67 críticos de cinema, levam o leitor a uma compreensão e, quem sabe, uma nova forma de ver a sétima arte. O Escafandro e a Borboleta (2007) um filme franco-americano que trata da vida do editor Jean-Dominique Bauby, que após sofrer um acidente vascular entrou em coma, despertando 20 dias após, impossibilitado de movimentar-se e falar. Podia apenas piscar os olhos. Apesar dessa condição física, Bauby escreveu o livro que deu origem ao filme. Para “ditar” o livro, Dominique piscava com a pálpebra esquerda letra por letra que uma pessoa anotava. Interessante observarmos através de quais formas conseguimos realmente nos comunicar com os outros. Eu consigo? Você consegue?

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 38

 

Título Original: 1001 Movies you must see before you die
Ano de Lançamento (Grã-Bretanha): 2003
Coordenação: Steven Jay Schneider

criado por filosofiacinema    15:19 — Arquivado em: Sem categoria

OS SETE SAMURAIS – Entre o conformismo e a resistência

O filme de Akira Kurosawa, inicia com um dilema interessante:  conformar-se com a situação vivida ou lutar contra as circunstâncias que se apresentam? Vamos aos detalhes. No século XVI, período de enorme turbulência e desfragmentação do Japão. Os poderosos samurais de outrora eram agora desprezados pelos seus senhores. As aldeias ficavam à mercê dos assaltantes. A aldeia em foco diante da eminência de um novo saque busca o auxilio na  figura de Kambei (Takashi Shimura), um guerreiro samurai veterano sem dinheiro, ele arregimenta outros cinco samurais, também chamados “ronins”, designação do samurais sem senhores a quem prestar serviço. O “sétimo” samurai é Kikuchio (Toshiro Mifune) que finge ser um samurai, mas na realidade é um filho de camponês. É Kikuchio que irá traduzir a cultura dos aldeões aos samurais, ele levará seus amigos a conhecer as artimanhas que os moradores utilizam para sobreviver.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 37

 

 

Título Original: Shicinin No Samurai
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 208 minutos
Ano de Lançamento (Japão):
1954
Direção: Akira Kurosawa

 

Elenco
Takashi Shimura (Kambei Shimada)
Toshirô Mifune (Kikuchiyo)
Yoshio Inaba (Gorobei Katayama)
Seiji Miyaguchi (Kyuzo)
Minoru Chiaki (Heihachi Hayashida)
Daisuke Katô (Shichiroji)
Isao Kimura (Katsushiro)

criado por filosofiacinema    15:01 — Arquivado em: Sem categoria

O Curioso Caso de Benjamin Button

Imagine ser possível nascer-se velho e morrer como a felicidade de uma ejaculação. Essa foi a ideia proposta pelo comediante iconoclasta George Carlin (1937-2008); antes disso, em 1920, o escritor F. Scott Fitzgerald (1896-1940), fez uma proposta semelhante em seu conto “O Curioso Caso de Benjamin Button”, que por sua vez foi inspirada em uma frase do escritor Mark Twain (1835-1910), inconformado com a experiência da velhice, disse: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”. No filme homônimo, Benjamin Button (Brad Pitt) nasce com uma estranha doença onde, mesmo sendo um bebê, apresenta todas as doenças de uma pessoa idosa. Com o passar dos anos, ao invés de envelhecer, Benjamin vai tornando-se mais jovem. O filme nos apresenta uma reflexão sobre a morte e a velhice, enquanto as pessoas em torno de Benjamin caminham para um envelhecimento e morte, ele caminha em sentido oposto e para o mesmo fim.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 36

 

Dica: O Curioso Caso de Benjamin Button de F. Scott Fitzgerald, adaptado por Nunzio DeFilippis e Christina Weir. Ilustrado por Kevin Cornell. São Paulo: Ediouro. 2009

 

Ficha Técnica
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 166 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Direção: David Fincher

Elenco
Brad Pitt (Benjamin Button)
Cate Blanchett (Daisy)

criado por filosofiacinema    14:53 — Arquivado em: Sem categoria

7/10/09

Filosofia, Medicina e Espiritismo

“O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou que diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura.” Esse quase novo Juramento de Hipócrates, é uma citação de Adolfo Bezerra de Menezes, que recentemente teve sua vida retratada em filme homônimo, interpretado por Carlos Vereza. Mas como todo filme biográfico é impossível contar uma vida em pouco tempo. Ficamos sabendo, no entanto, em breves pinceladas, porque Bezerra de Menezes é uma referência como médico, político e como pensador abolicionista e espírita.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 35

 

Ficha Técnica
Título original: Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito

Gênero: Drama
Tempo de Duração: 76 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Direção: 
Glauber Filho e Joe Pimentel

criado por filosofiacinema    15:15 — Arquivado em: Sem categoria

2/6/09

O caminho mais curto para a paz

Quando Gandhi (Ben Kingsley) lançou os alicerces da não-violência como meio de alcançar a independência da Índia, baseou essa prática, entre tantas fontes, nos ensinamentos de Henry David Thoureau sobre a desobediência civil. Através da palavra do pensador norte-americano É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei.” percebe-se como a não-violência foi a melhor estratégia e arma utilizada por Gandhi. O filme de Attenborough retrata a vida de Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), desde o inicio de sua militância política na África do Sul, no início do século XX, até seus momentos finais, quando é assassinado. Mostra, de forma resumida, como uma pessoa de classe abastarda na Índia, formado numa das melhores faculdades de direito da Inglaterra irá se tornar um “faquir despido”, como nos falou Winston Churchill. Entre seus inúmeros ensinamentos, Gandhi nos diz que “O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido.”

 

Dicas: A DESOBEDIÊNCIA CIVIL, Henry David Thoureau, Ed. L&PM e  AUTOBIOGRAFIA: Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade, M.K. Gandhi, Ed. Palas Athenas

 

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 34

 

 

Ficha Técnica
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 188 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / Índia): 1982
Direção: Richard Attenborough

 

Elenco

Ben Kingsley (Mohandas Karamchand Gandhi “Bapu”)
Candice Bergen (Margaret Bourke-White)

Edward Fox (General Reginald Dyer)
John Gielgud (Lorde Irwin)
Trevor Howard (Juiz Broomfield)
John Mills (Lorde Chelmsford)
Martin Sheen (Vince Walker)
Ian Charleson (Reverendo Charlie Andrews)
Athol Fugard (General Jan Christiaan Smuts)
Günther Maria Halmer (Dr. Herman Kallenbach)
Saeed Jaffrey (Sardar Valabhhai Patel)
Geraldine James (Meerabahen)
Alyque Padamsee (Mohammed Ali Jinnah)
Amrish Puri (Khan)
Roshan Seth (Pandit Jawaharlal Nehru)
Rohini Hattangadi (Sra. Kasturba M. Gandhi)
Ian Bennen (Oficial Fields)
Richard Griffiths (Collins)
Nigel Hawthorne (Kinnoch)
Michael Hordern (Sir George Hodge)
Shreeram Lagoo (Prof. Gokhale)
Om Puri (Nahari)
Daniel Day-Lewis (Colin)
John Ratzenberger (Tenente americano)
John Boxer

criado por filosofiacinema    2:16 — Arquivado em: Sem categoria

Mundo Lixo

Certa vez, conversando como prof. Aziz Ab’Saber, ele contou a lenda de um povo que sucumbiu pelo detrito que produzia, só restando como herança cultural dessa comunidade o entulho. O filme “Wall-E” retrata essa possibilidade. Durante gerações o homem foi consumindo e descartando, criando montanhas e montanhas de lixo. Como solução o presidente mundial opta por presentear a humanidade com um cruzeiro intergaláctico, enquanto os robôs cuidam de tentar salvar a Terra. Por sinal, o mundo se tornou uma grande empresa “Buy N Large” algo como compra grande, e de certa forma como parte do que adquirimos se transforma em dejetos, grande compras resultam montanhas de lixo. Wall-E, é a sigla para (Waste Allocation Load Lifter Earth-Class, uma tradução livre seria ”Guindaste de Carga e Distribuição de Dejetos Classe-Terra”), o último robô que se mantém em funcionamento graças a sua função de auto-conserto, tem por função compactar todo o lixo deixado pela humanidade. Um ficção não muito longe da realidade.

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 33

Título original: Wall-E
Gênero: Animação
Ano: 2008 (Estados Unidos)
Diretor: Andrew Stanton

 

 

criado por filosofiacinema    1:17 — Arquivado em: Sem categoria

Uma pirueta, duas piruetas… Marx e Os Trapalhões

Nos últimos anos da ditadura militar brasileira, Os Trapalhões – os artistas, não os militares – resolveram fazer um filme, adaptação da peça teatral “Os Saltimbancos” de Chico Buarque, Sérgio Badotti e Luiz Enríquez Bacalov. O filme relata a história de quatro funcionários humildes (Didi, Dedé, Zacarias e Mussum) que, sem saberem, se tornam a principal atração do circo Bartolo. Barão (Paulo Fortes), dono do circo, conhecedor da importância deles, se utiliza da ingenuidade destes para lucrar cada vez mais, sem repartir com quem lhe proporcionava a riqueza. Assim como na peça, o filme critica, nas entrelinhas, o regime ditatorial da época e, de certa forma, a sociedade capitalista. Os trapalhões que eram criticados por seu humor pastelão apolítico começaram a ser visto com outros olhos pelos intelectuais da oposição. Interessante é ver uma cena onde os quatro picham uma parede com algumas palavras ainda muito atuais: “saúde”, “educação”.  A música de Chico Buarque coroa um dos melhores filmes do quarteto.

 

Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 32

 

 

Título Original: Os Saltimbancos Trapalhões
Gênero: Infantil
Duração: 95 min.
Lançamento (Brasil): 1981
Direção: J.B. Tanko
Música: Chico Buarque, Sérgio Bardotti e Luiz Bacalov

criado por filosofiacinema    1:00 — Arquivado em: Sem categoria
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://filosofiacinema.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.