7/10/09
“O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou que diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura.” Esse quase novo Juramento de Hipócrates, é uma citação de Adolfo Bezerra de Menezes, que recentemente teve sua vida retratada em filme homônimo, interpretado por Carlos Vereza. Mas como todo filme biográfico é impossível contar uma vida em pouco tempo. Ficamos sabendo, no entanto, em breves pinceladas, porque Bezerra de Menezes é uma referência como médico, político e como pensador abolicionista e espírita.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 35

Ficha Técnica
Título original: Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 76 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Direção: Glauber Filho e Joe Pimentel
2/6/09
Quando Gandhi (Ben Kingsley) lançou os alicerces da não-violência como meio de alcançar a independência da Índia, baseou essa prática, entre tantas fontes, nos ensinamentos de Henry David Thoureau sobre a desobediência civil. Através da palavra do pensador norte-americano “É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei.” percebe-se como a não-violência foi a melhor estratégia e arma utilizada por Gandhi. O filme de Attenborough retrata a vida de Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), desde o inicio de sua militância política na África do Sul, no início do século XX, até seus momentos finais, quando é assassinado. Mostra, de forma resumida, como uma pessoa de classe abastarda na Índia, formado numa das melhores faculdades de direito da Inglaterra irá se tornar um “faquir despido”, como nos falou Winston Churchill. Entre seus inúmeros ensinamentos, Gandhi nos diz que “O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido.”
Dicas: A DESOBEDIÊNCIA CIVIL, Henry David Thoureau, Ed. L&PM e AUTOBIOGRAFIA: Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade, M.K. Gandhi, Ed. Palas Athenas
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 34
Ficha Técnica
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 188 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / Índia): 1982
Direção: Richard Attenborough
Elenco
Ben Kingsley (Mohandas Karamchand Gandhi “Bapu”)
Candice Bergen (Margaret Bourke-White)
Edward Fox (General Reginald Dyer)
John Gielgud (Lorde Irwin)
Trevor Howard (Juiz Broomfield)
John Mills (Lorde Chelmsford)
Martin Sheen (Vince Walker)
Ian Charleson (Reverendo Charlie Andrews)
Athol Fugard (General Jan Christiaan Smuts)
Günther Maria Halmer (Dr. Herman Kallenbach)
Saeed Jaffrey (Sardar Valabhhai Patel)
Geraldine James (Meerabahen)
Alyque Padamsee (Mohammed Ali Jinnah)
Amrish Puri (Khan)
Roshan Seth (Pandit Jawaharlal Nehru)
Rohini Hattangadi (Sra. Kasturba M. Gandhi)
Ian Bennen (Oficial Fields)
Richard Griffiths (Collins)
Nigel Hawthorne (Kinnoch)
Michael Hordern (Sir George Hodge)
Shreeram Lagoo (Prof. Gokhale)
Om Puri (Nahari)
Daniel Day-Lewis (Colin)
John Ratzenberger (Tenente americano)
John Boxer
Certa vez, conversando como prof. Aziz Ab’Saber, ele contou a lenda de um povo que sucumbiu pelo detrito que produzia, só restando como herança cultural dessa comunidade o entulho. O filme “Wall-E” retrata essa possibilidade. Durante gerações o homem foi consumindo e descartando, criando montanhas e montanhas de lixo. Como solução o presidente mundial opta por presentear a humanidade com um cruzeiro intergaláctico, enquanto os robôs cuidam de tentar salvar a Terra. Por sinal, o mundo se tornou uma grande empresa “Buy N Large” algo como compra grande, e de certa forma como parte do que adquirimos se transforma em dejetos, grande compras resultam montanhas de lixo. Wall-E, é a sigla para (Waste Allocation Load Lifter Earth-Class, uma tradução livre seria ”Guindaste de Carga e Distribuição de Dejetos Classe-Terra”), o último robô que se mantém em funcionamento graças a sua função de auto-conserto, tem por função compactar todo o lixo deixado pela humanidade. Um ficção não muito longe da realidade.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 33

Título original: Wall-E
Gênero: Animação
Ano: 2008 (Estados Unidos)
Diretor: Andrew Stanton
Nos últimos anos da ditadura militar brasileira, Os Trapalhões – os artistas, não os militares – resolveram fazer um filme, adaptação da peça teatral “Os Saltimbancos” de Chico Buarque, Sérgio Badotti e Luiz Enríquez Bacalov. O filme relata a história de quatro funcionários humildes (Didi, Dedé, Zacarias e Mussum) que, sem saberem, se tornam a principal atração do circo Bartolo. Barão (Paulo Fortes), dono do circo, conhecedor da importância deles, se utiliza da ingenuidade destes para lucrar cada vez mais, sem repartir com quem lhe proporcionava a riqueza. Assim como na peça, o filme critica, nas entrelinhas, o regime ditatorial da época e, de certa forma, a sociedade capitalista. Os trapalhões que eram criticados por seu humor pastelão apolítico começaram a ser visto com outros olhos pelos intelectuais da oposição. Interessante é ver uma cena onde os quatro picham uma parede com algumas palavras ainda muito atuais: “saúde”, “educação”. A música de Chico Buarque coroa um dos melhores filmes do quarteto.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 32
Título Original: Os Saltimbancos Trapalhões
Gênero: Infantil
Duração: 95 min.
Lançamento (Brasil): 1981
Direção: J.B. Tanko
Música: Chico Buarque, Sérgio Bardotti e Luiz Bacalov
24/2/09
As religiões abraâmicas são aquelas que possuem a figura do patriarca Abraão como referencia. São elas: o Judaísmo, o Catolicismo e o Islamismo. Esse pequeno preâmbulo é para situar o filme. O Corpo, que retrata a descoberta feita pela arqueóloga israelense Sharon Golban (Olivia Williams) de um esqueleto que apresenta sinais de crucificação, além das mesmas características dos traumas sofridos por Jesus. Essa descoberta, se for verdade, produzirá enorme impacto no mundo cristão. O Vaticano indica o padre Matt Gutiérrez (Antnio Banderas), um ex-guerrilheiro do serviço de inteligência para, junto com a arqueóloga, descobrir a verdadeira identidade do esqueleto. Os líderes das religiões citadas buscam tirar proveito político do achado. Se você se encontrasse nesa situação, o que faria? anunciaria a descoberta? passaria o problema para que outra pessoa ou instituição religiosa resolvesse? você teria argumentos para justificar suas atitudes?
Dica: Jesus dentro do judaísmo de James H. Charlesworth. Rio de Janeiro: Imago, 1992.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 31

Ficha Técnica
Título Original: The Body
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2001
Direção: Jonas McCord
Elenco
Antonio Banderas (Padre Matt)
Olivia Williams (Sharon)
Yoav Dekelbaum (Avi)
Joni Nykänen Derek Jacobi
Mohammed Bakri
Makram Khoury
Sami Samir
John Shrapnel
John Wood
19/2/09
A Filosofia prima pela busca da verdade e por seu abandono das opiniões alheias, pois destas se tornaria escrava. Estas são duas máximas defendidas pelo filósofo pré-socrático Parmênides de Eléia (530-460 a.C.). O cinema, parafraseando Jean-Claude Bernadet, busca reproduzir a própria visão do homem sobre a realidade. Assim, quando citamos esses dois filmes do diretor Mel Gibson, A Paixão de Cristo e Apocalypto, e os relacionamos com esse pressuposto da busca pela verdade, é porque neles o diretor procurou aproximar-se ao máximo dos fatos ocorridos (mais no primeiro do que no segundo filme); contudo, o alerta de Bernadet se faz presente. É a visão de Gibson sobre os fatos. Em ambos os filmes é possível realizar uma reciprocidade, acreditando que nos mostrar Cristo (James Caviezel) falando aramaico e Pata de Jaguar (Rudy Youngblood) falando maia e yucateca torna possível essa vivência. Assim, fantasia ou não, com detalhes como esse, a realidade se impõe com toda a força.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 30

FICHA TÉCNICA - A PAIXÃO DE CRISTO
Título Original: The Passion of the Christ
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: (EUA) 2004
Duração:126 minutos
Direção: Mel Gibson
Elenco
James Caviezel (Jesus Cristo)
Maia Morgenstern (Maria)
Monica Bellucci (Maria Madalena)
Hristo Jivkov (João)
Hristo Shopov (Pôncio Pilatus)
Rosalinda Celentano (Satã)
Francesco Cabras (Gesmas)
Claudia Gerini (Esposa de Pilatus)
Sergio Rubini (Dismas)
Danilo Maria Valli (Lázaro)
Matti Sbraglia (Caifás)

FICHA TÉCNICA - APOCALYPTO
Título Original: Apocalypto
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento: (EUA) 2006
Duração:139 minutos
Direção: Mel Gibson
Elenco
Rudy Youngblood (Jaguar Paw)
Dalia Hernandez (Seven)
Jonathan Brewer (Blunted)
Morris Birdyellowhead (Flint Sky)
Carlos Emilios Baez (Turtles Run)
Ramirez Amilcar (Culr Nose)
Israel Contreras (Smoke Frog)
Israel Rios (Cocoa Leaf)
Maria Isabel Diaz (Sogra)
Iazua Larios (Sky Flower)
Raoul Trujillo (Zero Wolf)
Gerard Taracena (Middle Eye)
Rodolfo Palacios (Snake Ink)
Mayra Serbulo
Espiridion Acosta Cache
Ao final da Segunda Guerra Mundial até os anos 80 do século XX, o mundo esteve dividido em dois grandes blocos político-econômicos, o capitalismo e o comunismo. O primeiro, capitaneado pelos Estados Unidos eo segundo pela União Soviética. Fundamentado em Karl Marx, com adequações de Lênin e, posteriormente, Stálin, o comunismo pretendia ser o regime vigente em todo o mundo. No Brasil, uma referência era Luis Carlos Prestes (1898-1990), militar e líder comunista que inicia sua militância em 1928, quando exilado na Argentina, onde aprende as teorias marxistas. Em 1931, segue para a União Soviética, retornando incognito ao Brasil em 1934, com a missão de liderar uma revolução armada no país. Acompanhava-o Olga Benário (1908-1943), uma mulher comunista, judia e apaixonada. Assim retrata o diretor Jayme Monjardin em seu filme. Ali temos a história de Olga Benário Prestes (Camila Morgado) e de seu envolvimento político e amoroso, com Luis Carlos Prestes (Caco Ciocler). Desde o fracasso da revolução à sua deportação grávida para a Alemanha nazista, e sua morte na câmara de gás no campo de concentração em Ravensbrück. O filme, que retrata um importante período da história, provoca a reflexão sobre temas ainda atuais com a Ética e tolerância. “Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo” disse Olga em sua última carta dirigida a Anita, sua filha, e a Prestes.
Dica: Olga de Fernando de Morais. Ed. Companhia das Letras
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 29

FICHA TÉCNICA
Título Original: Olga
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: (Brasil) 2004
Duração:114 minutos
Direção: Jayme Monjardin
Elenco
Camila Morgado (Olga Benário Prestes)
Caco Ciocler (Luis Carlos Prestes)
11/12/08
O filme Dolls, de Takeshi Kitano, sugere - isso depende dos olhos de quem vê - que o amor seria uma possibilidade de visualização deste vínculo entre os humanos. O filme contém três histórias entrelaçadas, a primeira é de um casal, Matsumo e Sawako, que encontram oposição na família para se casarem, o que resulta em uma tragédia. Na segunda nos é contada a história de um relacionamento interrompido na juventude entre Hiro e Ryoko e que na velhice voltam a se reencontrar. A terceira nos fala da relação entre a cantora Haruna e seu fã Nukui, após um acidente a artista fica com o rosto desfigurado e seu admirador faz de tudo para se reaproximar, procurando não afrontá-la. Utilizando o imaginário do dramático do teatro de bonecos japonês, Bunraku, Kitano transformar histórias comuns em verdadeiras alegorias sobre o amor eterno e a entrega completa. É curioso lembrar que o titereiros que se apresentam no Bunraku vestem-se de preto para não aparecerem diante do público, assim é como se os bonecos tivessem vida própria. Seriam nossos laços que nos movimentam no mundo?
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 28
Ficha Técnica
Título Original: Dolls
Gênero: Drama/Romance
Ano de Lançamento: (Japão) 2002
Duração: 114 minutos
Direção: Takeshi Kitano
Elenco
Miho Kanno (Sawako)
Hidetoshi Nishijima (Matsumoto)
Tatsuya Mihashi (Hiro, o chefe)
Chieko Matsubara (Ryoko, a mulher no parque)
Kyôko Fukada (Haruna Yamaguchi, a estrela pop)
Tsutomu Takeshige (Nukui, o fã )
23/10/08
Resumir a vida de uma pessoa não é tarefa fácil, para alguns são as marcas que deixou na vida, sejam obras, amizades, amores; outros talvez vejam pela fé que demonstraram, para outros a vida não tem sentido algum. Para Carter, a vida faz sentido quando uma pessoa segue o seu exemplo. A amizade que surge entre Edward Cole (Jack Nicholson) e Carter Chambers (Morgan Freeman) quando estes se encontram hospitalizados e descobrem que são pacientes terminais em virtude do câncer, irá mostrar o quanto afetamos e somos afetados pelos outros. De origem sociais distintas, Edward é, entre outras coisas, dono do hospital onde se encontram; Carter é mecânico que dedicou a vida toda à família. Dois universos distintos ligados agora por uma lista de desejos, daí o nome em inglês da película “The Bucket List”. O que era um aprendizado de filosofia proposto no ensino primário para Carter se transforma agora em um ensinamento para a vida. Foi necessário percorrer o mundo exterior para atingir o mundo interior.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano III, n° 27

Ficha Técnica
Título Original: The Bucket List
Gênero: Comédia Dramática
Ano de Lançamento: (EUA) 2007
Duração: 97 minutos
Direção: Rob Reiner
Elenco
Jack Nicholson (Edward Cole)
Morgan Freeman (Carter Chambers)
2/10/08
Era inevitável chegarmos a esse filme. Matrix. Para os fãs - e me considero um deles, o filme é rico em citações filosóficas, mas vou me prender apenas à exemplificação da Teoria das Idéias ou Teoria das Formas, de Platão. Só para relembrar, a teoria platônica é exemplificada na Alegoria da Caverna, do Livro VII da República, nesta obra Sócrates, em diálogo com Glauco, relata uma cena onde homens vivem desde que nascerem em uma caverna, presos, impossibilitados de movimento. Nesta caverna há uma fresta por onde perpassa uma luz e impregna a parede com sombras do mundo real, os prisioneiros crêem que as imagens projetadas na parede da caverna seja o real. Assim como um protagonista que se liberta e parte em direção à luz (conhecimento), Neo (Keanu Reeves) sai de sua “caverna-mente”, onde as máquinas projetam uma realidade virtual, e inicia sua caminhada para descobrir o mundo verdadeiro. O filme nos traz, no mínimo, uma questão filosófica: O que é o real?
DICA: Livro: “Matrix - Bem-vindo ao Deserto do Real” (Masdras) (org.) William Irwin. Diversos autores fazem uma série de relações e associações entre a filosofia e o filme.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano II, n° 26

Ficha Técnica
Trilogia Matrix
Gênero: Ficção Científica
Ano de Lançamento (EUA): 1999/2003
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski