Filosofia e Cinema

Artigos que são publicado na coluna “Para Refletir” da Revista “Filosofia, Ciência & Vida” da Ed. Escala

9/6/07

O vagabundo e o ditador

"O Grande Ditador" foi para Chaplin a despedida do personagem Carlitos num filme de explícita crítica a Adolf Hitler e seu ideal ariano de purificação da raça. Enquanto os Estados Unidos faziam vista grossa aos desmandos do governo alemão e viam com simpatia as medidas adotadas por Hitler, Chaplin, de forma solitária, o denunciava. A idéia surgiu em 1937, a partir de uma troca de identidade, ao ver Hitler ostentar o mesmo bigodinho de Carlitos. Mais tarde, Chaplin, sempre avesso à sonorização do cinema, adotou neste filme o casamento perfeito entre a pantomima e o cinema falado. "Como Hitler, poderia discursar às multidões numa linguagem muito confusa; como Carlitos, permaneceria mais ou menos calado".  Interessante é perceber como, de forma irônica, Chaplin aborda a questão da estética a serviço de um regime totalitário. Por exemplo, grandes obras como O Pensador de Rodin e A Vênus de Milo, todas com a indefectível saudação nazista, e o mundo se moldando às característica de seu "dono".

Dica Minha Vida, Charles Chaplin, (Jose Olympio: 2005)

Revista Filosofia, Ciência & Vida, Ano I, nº 10

FICHA TÉCNICA

O Grande Ditador (The Great Dictator)

Gênero Comédia/Drama/Guerra

Direção e Roteiro Charles Chaplin

Ano de produção 1940 (EUA)

Duração 128 min

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Se eu fosse você

A proposta é mudar a máxima "A minha liberdade termina quando começa a dos outros" para "A minha liberdade é garantida pela liberdade dos outros". A isso chamamos de alteridade, que, como nos lembra o filósofo lituano Emmanuel Lévina, é a necesidade de apreendermos o outro em sua plenitude, saber ir ao mundo do outro, saber conhecê-lo em relação às minhas verdades sem, contudo, impô-las. E, por meio dessa compreensão, reduzir a possibilidade de conflitos. Pois, "existo" a partir do outro e de sua visão. Em Se eu fosse você, Cláudio (Tony Ramos), publicitário, tem um casamento de longo tempo com Helena (Glória Pires), professora de música; já estão acostumados ao cotidiano, onde cada um guarda para si seus problemas e conflitos, até que em certo momento cada um ocupa o  corpo do outro e, em conseqüência, seu mundo.

Dica: Lévinas - uma introdução de M. Costa (Vozes: 2000) e www.cebelonline.org (Centro Brasileiro de Estudos sobre o pensamento de Emmanuel Lévinas).

Revista Filosofia, Ciência & Vida, Ano I, nº 9

FICHA TÉCNICA

Se eu fosse você

Gênero Comédia Româtica

Direção Daniel Filho

Ano de Produção 2006 (Brasil)

Duração 108 min

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Viver na melhor idade

Alguma pessoas falam que sentir-se velho é um "estado de espírito", outros "que se trata apenas de um fator biológico". Bobbio nos diz que o idoso vive ‘de’ e ‘em função’ das lembranças e que o tempo da memória corre em contraposição ao tempo real, ou seja, a vivência torna-se mais presente nas lembranças. A filósofa francesa Simone de Beauvoir traça um quadro  realista e trágico em relação aos idosos e a nossa sociedade: "é um segredo vergonhoso e um assunto proibido". A velhice reflete-se também na existência social, bem como na questão da sexualidade do indivíduo. O filme Elsa e Fred leva-nos a rformular alguns pré-juízos referentes a uma suposta velhice assexuada. Elsa (China Zorrilla)é uma senhora que adentra a vida de Alfredo (Manuel Alexandre) mostrando-lhe que, também nesse momento, a vida é preciosa e pode ser desfrutada com prazer, Fred se permite levar por essa juventude e linda loucura. A partir desse momento tudo se transforma e ele aprende a viver.

Dica: A Velhice, de Simone de Beauvoir (Ed. Nova Fronteira: 2003) e Tempo e Memória, de Noberto Bobbio (Ed. Campus, 1997).

Revista Filosofia, Ciência & Vida, Ano I, nº 8

FICHA TÉCNICA

Elsa e Fred

Gênero Drama

Direção Marcos Carnevale

Ano de Produção 2005 (Argentina/Espanha)

Duração 108 min

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Em Tempo

"O ano passou tão depressa!", "Não posso falar contigo agora, estou sem tempo!" Quantas vezes ouvimos frases como estas? Essa compressão do tempo, ou mesmo um tempo assaz demorado que nos toma em contraponto à ansiedade. Mas, o que é o tempo? Essa questão nos foi apresentada por Santo Agostinho em seu Livro XI de Confissões. Um dos maiores pensadores do cristianismo identifica a existência do tempo com a própria vida, pois somente a alma tem a possibilidade de se estender para o passado ou para o futuro, restando ao homem apenas o presente. Um filme, como analogia ao tema, é Koyaanisqatsi, que significa vida em desequilíbrio, em desintegração, no idioma da tribo Hopi da América do Norte. A música de Philip Glass nos conduz através das imagens, ora lentas, ora em profusão gigantesca. Um contraste entre o tempo da natureza e o tempo criado pelo homem. Revista Filosofia, Ciência & Vida Ano I, nº 7.

FICHA TÉCNICA

Koyaanisqatsi - Uma vida fora de equilíbrio

Gênero Documentário

Direção Godfrey Reggio

Ano de Produção 1982 (EUA)

Duração 87 min

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Histórias de pessoas nada comuns

A Casa de Cinema de Porto Alegre acaba de lançar uma caixa com quatro DVDs, reunindo 38 curta-metragens de ficção, documentário e especiais para a televisão. Os três títulos destacados: Ilha das Flores, O Sanduiche e Essa não é a sua Vida, abarcam conceitos interessantes para se pensar. O primeiro trata de forma sutil e irônica a questão do consumismo , da produção de bens e da dignidade humana; o segundo aborda a questão do real e da aparência, o que vejo é realmente o que vejo? E o terceiro é um documentário que traz à tona a vida de Noeli, uma moradora do subúrbio de Porto Alegre, escolhida aleatoriamente. O príncipio do qual parte o diretor é mostrar que as ditas "pessoas comuns" não são tão comuns assim. Há em cada indivíduo uma história de vida única. Não há "gente comum", há você e sua história.

Dica www.casacinepoa.com.br

Revista Filosofia, Ciência &e Vida, ano I nº6.

FICHA TÉCNICA

Curta da Casa

Gênero: Vários

Tempo de duração 596 min (dividido em 38 filmes)

Ano de lançamento 2006

Direção Jorge Furtado, Ana Luiza Azevedo, Carlos Gerbase, entre outros.

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Sociedade Controlada

Ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que é, mas que não é fácil de explicar.  Arriscando, diria que é a parte da Filosofia responsável pela investigação dos princípios que orientam o comportamento humano de modo específico, no que diz respeito à essência das normas e valores existente em qualquer realidade social. Baseado nessa ótica, Violação de Privacidade é uma intromissão em todos os momentos íntimos de uma pessoa. Em um futuro p´roximotodos recebem um implante de memóriaao nascer, cujo objetivo é registrar todos os fatos da vida. Após a morte o implante é retirado e seu conteúdo editado, para exibição em uma cerimônia póstuma chamada Rememória. A função de Alan Hackman (Robin Williams) é fazera edção destas cenas, excluindo as desagradáveis e mantendo as que tornam o falecido mais próximo dos "mocinhos".

Para pensar:

1) Existe um limite para a tenologia "aprimorar" nossas qualidades naturais?

2) Uma "nova" espécie de ser humano seria uma "evolução" diante de nossas capacidades naturais?

3) É correto distorcer parte da história de alguém ou de uma sociedade para que ela fique melhor "apresentável"?

Dica: Ética Prática, de Peter Singer (Manrtins Fontes: 1998).

Revista Filosofia, Ciência & Vida, Ano I, nº 5

FICHA TÉCNICA

Violação de Privacidade (The Final Cut)

Gênero Ficção Científica

Tempo de duração 104 min

Ano de lançamento 2004 (EUA)

Direção Omar Narin

 

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De onde viemos?

O filme inicia no alvorecer da raça humana na África. Um grupo de primatas é expulso de sua fonte de água por um grupo rival. Naquela noite um monolito é colocado deliberadamente diante do grupo derrotado. A curiosidade leva aqueles primatas a tocarem, cheirarem, tentarem entender o que é aquilo que se apresenta diante deles. É este instrumento que fará a passagem temporal para o futuro - em uma das cenas antológicas do cinema - onde nos depararemos com o ser humano deixando sua terra e se dirigindo à lua paraa o desconhecido que la se apresenta: o monolito. Staley Kubrick e Arthur C. Clarke nos brindam com um verdadeiro e instigante despertar às primeiras questões filosóficas. De onde viemos? Como chegamos ao nosso atual estado de conhecimento? Até onde seremos capazes de ir? Ainda que talvez nunca atijamos uma resposta satisfatória. Dica visite o site www.kubrick2001.com. Revista Filosofia, Ciência & Vida. Ano I, nº 4

FICHA TÉCNICA

2001 - Uma odisséia no espaço

Gênero: Ficção Científica

Tempo de Duração 149 min

Ano de Lançamento 1968 (EUA)

Direção Stanley Kubrick

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O show da vida também é Filosofia

Truman é uma pessoa especial. O mundo gira ao seu redor e todos sabem - menos ele. O filme narra a história de Truman Burbank (Jim Carrey) que desde o momento de sua gestação é acompanhado initerruptamente 24 horas, sete dias por semana, tudo o que lhe acontece. O criador do Programa, Christof (Ed Harris), conduz a vida de Truman como um deus, cria-lhe um mundo extremamente falso para alguém visceralmente verdadeiro. O Show de Truman pode ser considerado uma obra profética; foi realizado em 1998, antes da febre de reality shows que assolou o mundo, em que todos os movimentos dos participantes são monitorados por telespectodares ávidos por falsa realidade. O filme desperta inúmeras questões éticas sobre a privacidadee indaga-nos também sobre o que é a realidade. Um intrigante roteiro de Andrew Niccol, equivalente cinematográfico à obra 1984 de George Orwell. Revista Filosofia, Ciência & Vida, Ano I, nº 3.

Ficha Técnica

O Show de Truman

Gênero: Drama

Tempo de duração 102 min

Ano de Lançamento 1998 (EUA)

Direção Peter Weir

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8/6/07

O olhar coletivo

Qual é a pior cegueira? É a pergunta dirigida a nós pelo escrito José Saramago e que, de certa forma, pode ser o fio condutor deste documentário, após as diversidades de percepções de mundos ficamos em dúvida: será que realmente vemos o mundo? Enxergamos - quando enxergamos - o que queremos e o que está dentro de nossa possibilidade conceitual e cultural. Eugene Bavcar, um dos entrevistados, é fotógrafo e filósofo, afirma que todas as pessoas que enxergam são cegas, pois vivem em um mundo que perdeu a visão, no sentidoem que a televisão é quem propõe as imanges - imagens prontas - tirando-nos a possibilidade de vê-as com o olhar interior. reafirmando uma das falas do filme: vivemos hoje, verdadeiramente, a caverna de Platão, onde as sombras projetadas são tomadas como a realidade. Revista Filosofia, Ciência & Vida - ano I, nº 2.

FICHA TÉCNICA

Janela da Alma

Gênero: Documentário

Tempo de Duração: 73 min.

Ano de Lançamento 2002 (Brasil)

Direção: João Jardim e Walter Carvalho

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5/6/07

Representação da Morte

Ter consciência da morte parece ser uma das marcas da humanidade. Sócrates nos ensinava que "filosofar é aprender a morrer"; Pascal reconhecia estarmos "todos condenados à morte". O diretor Bob Fosse, talvez querendo contrariar a fala de Wittgenstein, para o qual "a morte não pode ser vivida", apresenta-nos o musical All That Jazz, uma filmagem semi-autobiográfica, onde retrata o cotidiano e os momentos finais da vida do diretor e coreógrafo Joe Gideon (Roy Scheider). O monólogo do comeidante Davis Newman (Cliff Gorman) servirá de fio condutor da trama, onde são relatados, satiricamente, os cinco estágios da morte: raiva, negação, negociação, depressão e aceitação. Sem tecer nenhum comentário religioso, apenas retratando a sua representação de morte (e vida), Bob Fosse faz deste filme, e principalmente das cenas finas, a mais linda cena de despedida. Revista Filosofia, Ciência & Vida, ano I - 2006

FICHA TÉCNICA

O Show Deve  Continuar (All That Jazz)

Gênero: Musical

Tempo de duração: 123 minutos

Ano de Lançamento: 1979 (EUA)

Direção: Bob Fosse

 

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