17/8/08
Cabra-Cega e o Inferno Existencialista
Ao assistir à inquirição do senador Agripino Maia (DEM) à ministra Dilma Rousseff, ouviu-se instigá-la a falar a verdade, pois, segundo ele, Dilma já havia mentido anteriormente. A ministra, diante da provocação, responde que: “Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira…”. Esse depoimento remeteu-me ao filme Cabra-Cega. Nele é retratado o momento em que a guerrilha urbana começa a ser desmantelada pelo regime de exceção, com traições, prisão, tortura e morte de militantes. Tiago (Leonardo Medeiros), após uma ação frustrada, é mantido escondido e incomunicável em um apartamento, seu único contato com o mundo é através de Rosa (Débora Duboc). Esses dois relatos enviam-nos, inquestionavelmente, à obra de Jean-Paul Sartre, Entre quatro paredes (1945). Onde três pessoas vão parar no inferno. Ali eles não têm necessidade de se alimentar, de dormir; impossibilitando-os de expiar as suas faltas. Com o passar do tempo começam a desnudar-se perante o outro. A consciência não pode furtar-se a enfrentar a outra consciência. Daí a famosa frase: “O inferno são os outros”. “Outros” são aqueles que de forma consciente, ou não, revelam de nós a nós mesmos.
Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano II, n° 25
Ficha Técnica
Título Original: Cabra-Cega
Gênero: Drama 2005/Brasil
Diretor: Toni Venturi
Tempo de Duração: 170 minutos

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